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19 de junho de 2012


Para ti, que estás sentado a ver a vida passar, não desistas. Também eu possuo aquela tristeza cavada em cada poro da minha pele. Aquele desânimo para com a vida e aquela vontade de fugir. Também eu sei o que é cambalear pelas ruas escuras e tropeçar nas pedras da calçada. E quando a noite surge, também eu reconheço a melancolia que paira na cale das paredes e a solidão que se entranha na mente. Somos mais parecidos do que pensamos. Sentimos uma massa de vazio dentro de nós. Um buraco negro no lugar do coração. E eu bem sei o que é estar empanturrado de decepções. Sentir a boca amarga de tão pouco a vida ter sabor. E de viver de quases. Viver de uma história de outrem e tentar em vão o seu não-declínio. Mas não desanimes. O coração oco que hoje sustentas no peito irá transformar-se num quase inteiro e cheio. Aí, o teu coração irá preencher-se de vivacidade, de vocábulos e de realizações. Irá sorrir de alívio e perceber que não há mais nada a fazer. Que por mais que ele queira, já não há mais nada a dizer. Ele fez tudo. Tentou de tudo. Respirou outro ar. E até sarou outras feridas que não as dele. Mas acabou. Resta-te agora despertar dessa inércia. E encher-te de ti. Abrir os olhos e encarar a exactidão da vida. Para algo que, até então, não havias percebido.
A vida é um labirinto. Uma caixinha de surpresas que, de vez em quando, nos presenteia com abalos positivos. Vem de relance e cai que nem um para-quedas nas nossas vidas. Cabe a nós aproveitar todas as dádivas que ela nos oferece. E cuidar. Cuidar com carinho e amor, para que a solidão nunca mais nos assista. E, desde então, que eu sei que não estou mais abandonado ao sabor do vento. Ao vaivém das marés. Possuo, a meu lado, um ente característico de si próprio: especial. Que me brinda com felicidade e com a segurança de que, todos os dias, ela estará nutrindo afeições acumuladas. Mas, assim como todos os seres que sustentam  dentro de si, também eu possuo o medo de perder. O aperto no coração e uma dor que cresce e não desafoga. A sensação do adeus… E quando este acontecer, eu deixo-te ir. Livre. Para que, um dia, possas voltar e mostrar ao Mundo que fomos feito um para o outro. Que podes ser minha  e eu teu. Sem limites, mistérios e segredos. Mas se o que é verdadeiro volta, também fica. E tu vais ficando. No azul dos dias e no negrão das noites. Vais agarrando cada pedaço meu e fazendo deles teus, até me saberes de cor. Não foges. E cumpres. Por isso, fica aqui a promessa de não desistir. Não hoje. Não nunca.

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